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... Segunda-feira, Janeiro 03, 2005 ...
(mensagem em portugues abaixo e eh pros da lingua portuguesa lerem e comentarem tambem!)
Indonesia Stops Counting in a Happy New Year
"Indonesia Stops Counting" - I read this headline in The Bangkok Post as I am downstairs for breakfast after my first night in Thailand. For some reason I cant get this out of my mind, that the tsunami devastatiuon has reached such level that it became pointless to keep track of the number of dead. It hits me hard, as every bit of information I've been reading and watching since December 26. But those bits come and go, and I revert to taking care of my own business.
I relieve this latest punch in the stomack by drinking Nescafe and making small talk with other travellers at the extremelly pleasant common room of the Suk11. It is 2005, it is a whole new year.
As I make plans of going up to the Thailand Red Cross Blood Donation Center I think of my own selfishness. Donating blood is no big deal for me. I am, again, choosing the easy way out. Am I doing good by sacrificing the least posibble of me? Truth is I will be happy to do it. There's no such thing as a selfless deed.
Get used to the idea that Death should not matter to us for good and evil are based on sensation. Death, however is the cessation of all sensation. Hence, Death, ostensively the most terrifying of all evils, has no meaning for us, for as long as we exist, Death will not be present. When Death comes, then we will no longer be in existence.
-- Epicurous
The disaster seems to have triggered a numberof reflexions of the point of each one of our existences. On how we are helpless against such outside events, so are we using our lives for good? On the long run, will we make a difference? Are we happy, are we satisfied, have we found pleasure? Are we doing enough?
Forgive me if I cannot think along those lines. It's pontless to keep track of the dead and I have stopped counting long ago. In 2005 all I want for myself is the same as what I deeply and silently wish year after year: That I am happy, that I find myself. And, yes, that I am actually making a difference with the line of work I have chosen and with my daily choices in general.
I head to the red cross. I am touched that as I approach the address - Bangkok can be quite confusing - two tuk-tuk drivers shout to me, not to agressivelly offer me a ride as usual, but to point at the inner part of their arms, and then point in the direction of the Blood Donation building. There aren't many other places in the area that I could be going to and they are correct to guess that is my destination. I know where I'm going, but I still stop to exchange some gestures with them. I take pleasure in that.
Later on I learn from other foreigners waiting in line to donate their blood, that those two old men have been there for quite a while, voluntarily indicating the way to the blood donation building. At the Red Cross, the movement is huge. Lines of people packing sacks of food supplies, clothing and medicine. Lines of people sorting them. Crowds donating their time, their money, their blood. It is a literal example of an organized chaos. This throws me back to reality and I remember that i am indeed very sad, hurt even. There's something stuck down my throat and I cannot describe it.
It does not take too long for me to get back to my own business. I am going from counter to counter, from volunteer to volunteer, checking my blood pressure, checking my blood type, answering questions, seeing doctors, filling up forms. But what I am really thinking is where I will go next on this trip. And if I should spend money on a Laos visa. And about how I miss him and wish I was not in love anymore. It's been too long. And about how even Bridget Jones found herself and ended up with Mark Darcy. And about how I am, again, unemployed spending on a trip the money I should be saving for the uncertain next months. How I need to learn to save in 2005 and think more about my life on a long term basis.
Duty accomplished, I walk towards the exit of the blood donation bus. The triage nurse wishes me Happy New Year. I turn back, a bit amused by such kindness - it's the last thing I expect to hear at a blood donation drive for a natural disaster that killed hundreds of thousands. So I wished back at her. And I wish to myself: Happy New Year.
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peoples, minhas culegas de kuching fizeram uma pressao danada pra sair um post em ingles. que posso fazer, sou uma garota internacional!
nao estou escrevendo pra contar o que fiz no ano novo. vai ateh o blog da Marita para ver fotos, e da Cayce e da Sativa pra ler mais.
... lets 5:01 AM [+] ...
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... Segunda-feira, Dezembro 27, 2004 ...
Peoples,
Se alguem estiver preocupado. Nao fiquem. Preocupen-se com os SUmatrenses, pois a SUmatra serviu de escudo e protegeu a Malasia dos efeitos mais fortes do Terremoto e Maremoto. Eu agora estou no Borneo e nem deu nada aqui.
Trecho de email enviado pra mae:
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YO!
agora que saih um pouco da toca, li mais sobre o terremoto/maremoto... o que nos salvou aqui foi a Sumatra (coitados dos sumatrenses, eh claro). repara no mapa como a Sumatra eh uma ilha comprida que percorre grande parte da costa oeste da Malasia (e eh a razao pela qual a maioria das praias da costa oeste da malasia sao uma bosta). Se aih nos jornais saiu o mapa que mostra o epicentro do terremoto e como as diferentes zonas afetaram os paizes, vc vai prerceber que a Sumatra serviu meio que de escudo protegendo um pouco a malasia, inclusive pro Borneo, onde estou. Aqui no Borneo nao afetou em nada. Mas fiquei sabendo que em Penang, uma ilha na malasia pra qual fui algumas vezes - segunda maior cidade no pais de onde eh a familia daquela minha amiga malaia, a Liza - o neg'ocio pegou um pouco, a praia ficou meio que destru'ida. Mas nada que se compara a Phuket, na Tailandia (eh a mesma costa, mas jah nao tem a Sumatra na frente) e o Sri Lanka.
Soh espero que eles - os sumatrenses - se recuperem e nao parem de plantar cafeh.
Ateh tentei usar isso de desculpas quando fui hoje a imigra'cao estender a minha estadia (mas puxa vida, agora nao posso mais ir pra Sumatra, serah que vcs nao me estendem a estadia em Sarawak???) mas nao adiantou. Explico: lembra quando fui na imigracao em KL perguntar sobre o meu visto e a minha vinda aqui pra Sarawak? Entao, a resposta que eles me deram lah - que vir para Sarawak jah significaria dar saida do meu visto de permanencia em West Malaysia / KL jah que os controles de fronteiras em Sarawak sao independentes - estava completamente equivocada. E soh me carimbaram o pasaporte pra ficar aqui ateh dia 01 de janeiro, que eh quando vence o meu visto oficial. A explicacao do homem no aeroporto em Kuching foi a melhor: "A imigracao em KL nao sabe muito bem como funciona o nosso controle fronteira aqui"(!!!).
Um pouco de cultura / historia: Sarawak, embora um estado anexado a Malasia e oficialmente parte da Malasia, mantem seu proprio departamento de imigracao e suas regras. Foi tipo que uma condicao para que eles aceitarem serem parte da Malasia. E eh tambem pra proteger as populacoes indigenas do lado de cah. O que me faz entender menos ainda de porque diabos a imigracao daqui (sarawak) nao me deixa ficar alem do visto de permanencia na Malasia do Oeste. Blah. Dia primeiro vou encarar umas 04 horas de onibus, cruzar a fronteira pra indonesia, passar uma noite por lah e depois voltar. Queria passar mais pelo menos uma semana por aqui, a irma da June trabalha com ativistas que trabalham com as populacoes indigenas dessa regiao, e hoje fomos falar com um amigo dela que vai me colocar em contato com umas comunidades preu ir visitar. As operadoras de turismo todas aqui oferecem esse tipo de coisa. Mas elas meio que transformaram essas comunidades num circo, e o impacto desse turismo desenfreado nas comunidades eh super maligno. Eu nao quero ser parte disso, quero fazer o negocio da maneira mais 'turisticamente responsavel' possivel. Entao vou com esse amigo da Jen.
----------------------fim do trecho copiado
Estou muito triste com toda essa trag'edia. O que fazer, o que pensar? A resposta eh: nada. Eles foram indefesos, e nos nao temos acao. Nao se trata de politica, de terrorismo, de acao humana, de nada disso. Eh natureza., eh isso que assusta mais ainda. No BootsNAll muita gente tem conhecidos que estao desaparecidos na Tailandia. O UOL dah que o que mais diferencia essa tragedia de outras como a do Alasca em 1965 eh a quantidade de ' estrangeiros' e turistas que foram atingidos. Fiquei com raiva de ler isso. Penso nos pescadores do Sri Lanka, nos vendedores de artesanato em Batu Ferringhi, nos balseiros de Sumatra. Eh horrivel de qualquer jeito. Agora eh que eu queria ter um diploma de enfermagem para ter um surto pegar o aviao e ir ajudar as missoes de resgate em qualquer um desses lugares. Mas nao vou. E posso dizer com uma tristeza resignada que a mim essa tragedia nao afetou. E dia 24 estou em Sampa.
Beijos a todos e Feliz ano novo.
... lets 8:15 AM [+] ...
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... Sexta-feira, Dezembro 17, 2004 ...
"I wondered if a memory is something you have or something you've lost." gena rowlands em Another Woman, de Woody Allen
Vou embora. Vai chover.
Estou sentindo tudo a minha volta como se já fossem memórias. E já faz tempo que estou fazendo isso, transformando tudo em memória. Vou embora. E não são só borboletas, tem um zoológico inteiro de bichos no meu estômago, espécies até então não catalogadas pela minha cabeça contraditória, pelo meu lado de dentro embaraçado.
Quero chupar um limao, de uma vez, azedo, sem tequila sal ou açucar. Sem motivo. O limão que enfeita o cocktail. Chupar o limão azedo que enfeita a borda do copo do coktail. Me fechar na textura da rodela de limao, com os gominhos, com a forma redonda e ao mesmo tempo goticular e igualmente cônica dos gominhos que se se reunem no centro da rodela.
Quero reviver os presentes que ficaram pra trás e não careguei comigo. Quero voltar a ter contato com as pessoas que afastei de mim ou que perdi o significado do contato. As que ficaram bem pra trás e as que estão logo alí. Quero ter menos inveja e ser mais leve.
Quero transformar o blog em um fundo branco. Em cantos redondos. Em cores simples. Em coisa clean.
Existo e sinto, logo penso. E me contradigo.
... lets 12:51 AM [+] ...
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... Sexta-feira, Novembro 26, 2004 ...
"Amar é ir além das aparências, em busca das essências. Amar é amar as arestas e adjacências".
Memória. Eu armazeno grandes porções de memória comigo. E outro dia desses, sentindo frio no ônibus, me deparei com essa memória entre aspas.
Sentindo frio! Tinha esquecido de como sentir frio. Peguei um pouco de chuva a camino do ponto de ônibus, e o vento entrava pelas portas quebradas do ônibus. Tinha uma jaqueta comigo (o ar condicionado no escritório é impossível) mas eu queria sentir frio (verão 365 dias por ano é, literalmente, sufocante). E sentindo frio segui no ônibus, segui sem olhar a paisagem e as pessoas dentro do ônibus, e as pessoas passarem do outro lado da janela, nas ruas de bairro suburbano kuala lumpurense. Normalmente me divirto observando o que acontece dento e fora do ônibus, mas estava lendo um texto, impresso antes no escritório. Porção extra grande de memória pra acompanhá-lo, era um texto do Carvalho, que encontrei por acaso numa cyber-busca frustrada por outra coisa.
Eu eu sentia frio, no ônibs e li e lembrei daquele ano, de tudo que veio com aquele ano, e tudo que veio depois. Praticamente, eu estava tentando colocar nove anos em perspectiva, e isso ônibus nenhum dá jeito...
Chovendo eu me iludia, que esse agora era diferente. Tudo é diferente, na realidade. Os meus dias estao ficando iguais, e no entando tudo é diferente. Eu me sinto agora normal nessa realidade diferente. E quero sentir frio.
No onibus sentindo frio, as pessoas eras tao normais. Parei de ler e comeceia me dedicar a meu esporte preferido na Malásia: "people watching".
A mulher de tudong (aquele véu que cobre a cabeça, os cabelos das muçulmanas) e baju kuru - traje tradicional malaio. Uma menina adolescente de tudong, mas com uma roupa ocidental e uma camiseta que poderia muito bem estar dizendo "I love America" com glitter. A moda anos 80, essa praga, está aqui também. Está aqui no onibus onde sinto frio e me abrigo da chuva. No onibus onde as cenas não estao passando em câmera lenda. No onibus onde sinto frio, onde tudo é tao diferente e no entanto é tão normal. As cenas nao estao passando em câmera lenta. Nao tem nenhuma trilha sonora na minha cabeça. A realidade é normal demais. É sexta feira, estou cansada, é tudo muito normal no ônibus onde sinto frio.
As arestas desse ano, as adjacências dessa experiência. mas principalmente as minhas arestas e adjacências, aquelas que nem sei aonde estão.
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nossa, já estamos quase entrando no último mês do ano de 2004... esse post estava no arquivo do blog há muito tempo. e resolvi postar. sem editar, então não reparem!
... lets 3:57 AM [+] ...
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... Sábado, Julho 17, 2004 ...
"coisa que gosto é poder partir sem ter plano... melhor ainda é poder voltar, quando quero...
são só dois lados da mesma viagem, o trem que chega é o mesmo trem da partida, a hora do encontro é também despedida, a plataforma dessa estação é a vida"
com esse site fiz um mapa com todos os países que já conheci. Eles dizem que eu conheço 11% do mundo... Onze por cento! Quanto chão ainda tem pela frente no mundo... e nem sei se posso dizer que realmente conheci todos eles.

Esse Post no blog do Alberto me fez começar a pensar em (ou me lançou num pensamento que já estava acontecendo em algum lugar da minha cabeça?) sobre partir e chegar. Sobre porque partir. Sobre porque chegar. Sober muitos porquês...
Sempre partir. Constantemente partir. Para chegar a onde? Importa tanto a partida quanto a chegada. Importa? Contrario aqui o provérbio e digo que não, a jornada não importa tanto quanto a partida e a chegada. Os extremos nos definem. Aqui e alí. Os momentos de decisão, os momentos de rumo, sentido direção estão nas muitas partidas e chegadas de uma mesma jornada. Quantas vezes eu parti mas não cheguei? Não tenho a pretensão de falar da minha aldeia para falar do mundo. E partir sempre é egoísmo. A chegada é ainda mais egoísta. É uma necessidade de definição, de normalidade, do porto e da âncora. A âncora... como é que se pode chegar a lugar qualquer que seja sem partir? Não importa que a chegada não seja no mesmo lugar da partida. Que a chegada não seja então no mesmo lugar da partida, nunca. Não quero retornar, quero chegar.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
(Robert Frost)
... lets 6:42 AM [+] ...
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... Quinta-feira, Julho 01, 2004 ...
breve editorial: bola de neve
quanto mais tempo eu fico sem escrever, tenho mais receio em recomeçar. porque fica uma pressão, uma responsabilidade de retomar com um grande retorno ou algo assim. deve ser uma coisa de idade. idade do blog, eu quero dizer, que já tem seu círculo de leitores e de reputação, que já tem personalidade. fora toda aquela coisa do 'projeto editorial'. não vou, e não quero, chegar aqui já dizendo qualquer coisa. não comecei a fazer um blog para ter um 'diário online', que peloamordedeus aposentei meus caderninhos da hello kitty com capa cor de rosa e minhi chave.
não vai ser dessa vez que vou retornar. tenho um monte de coisas pra dizer. sobre identidade, sobre ser multicultural, sobre latinidade. mas tenho que elaborar direito e não ando com disciplina nem pró atividade nem ânimo nem tempo suficiente para isso.
sem querer fazer desse post um retorno, gostaria de avisar que vou continuar meia boca por umas semanas mais. domingo estamos indo para um "office retreat" em Redang, e mal voltamos sigo para Kosice, Slovakia.
Ou seja,
estarei aqui:
depois, aqui:
Volto Logo!
ps: me vendi ao sistema. hoje começo aulas de cardio kick boxing na academia do conjunto de escritórios!
... lets 4:37 AM [+] ...
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... Segunda-feira, Maio 10, 2004 ...
Esse horóscopo no site do Excite me rendeu um bom momento de risada no fim desse dia pesadíssimo.
It's nice to be so grounded, but you're forgetting what it's like to fly. Maybe you should get out more and broaden your view. You might be ready for someone to convince you that it's time to try different things. The simple mention of a distant city or foreign country sends you off on a quick mental vacation. Seek out the sights, sounds or tastes of a different culture right here in your hometown. It's a starting point for making your dream come true. From here you can make reservations, buy tickets and find someone to water the plants while you're gone.
o mais irônico engraçado é que passei o dia numa sala na costa rica com um australiano, uma canadense, uma iraniana e um costa riquenho discutindo a implantação de um mecanismo de financiamento para empreendedores sociais...
muitas revoluções aqui. e eu comecei a pensar na vida após a malásia. quanto a "vontade de ver como um danado" e também não sei se não ser nada enraizada - ao contrário do que diz o horóscopo - é positivo. se faz a vida mais intensa ou mais desesperada, mais intensa ou mais esticada.
... lets 12:51 AM [+] ...
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... Quinta-feira, Abril 29, 2004 ...
Eu já quis que a ilusão fosse sequestrada no farol. eu já acreditei que tinha direito a ela, depois mandei que fosse se catar, e que só voltasse pra mim quando tivesse colados os pedacinhos com super bonder. quando achei que tudo ia dar certo, e que só dependia do meu esforço em tentar ao máximo, fiz as pazes com ela. e agora nem sei se existe ilusão ou se é só a realidade fragmentada e relativa e finita. estamos um pouco brigadas, separadas, eu e a ilusão. não sei se ela é sonho ou pesadelo ou assombração. se tempos de calmaria, sol e felicidade são realidades, mesmo que finitas, ou são simplesmente ilusões de realidades. realidades asssim mesmo, com S no final. enquanto tudo o que contemos dentro de nós é somente o nosso próprio humano sem solução não dá pra saber se o que era, estava pagando mensalidade ou diária. a ilusão, quando vai embora, deixa a angústia como substituta.
percebi que andei pensando muito nela ultimamente.
peguei um vício fulminante de Joni Mitchell quando assisti Love, Actually repetindo umas cinco vezes aquela cena em que a Emma Thompson ganha o cd da Joni Mitchell de natal do marido. Naquele momento, ela percebe que o marido não a ama mais, ou ela simplesmente perde a ilusão em que vivia? A voz de Joni Mitchell nesse nova fase, rouca, madura, franca. De quem paga pra ver.
Rosen flows of angel hair / And ice cream castles in the air / And feather canyons ev'rywhere / I've looked at clouds that way / But now they only block the sun / They rain and snow on ev'ryone / So many things I would have done / But clouds got in my way
Moons and Junes and Ferris wheels / The dizzy dancing way you feel / As ev'ry fairy tale comes real / I've looked at love that way / But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go / And if you care, don't let them know / Don't give yourself away
I've looked at love from both sides now / From give and take, and still somehow / It's love's illusions I recall / I really don't know love at all
Dreams and schemes and circus crowds / I've looked at life that way / But now old friends are acting strange / They shake their heads, they say I've changed
Well something's lost, but something's gained / In living ev'ry day
I've looked at life from both sides now / From win and lose and still somehow / It's life's illusions I recall / I really don't know life at all / I've looked at life from both sides now
From up and down, and still somehow / It's life's illusions I recall / I really don't know life at all
Há uns dias li essa noticia:
MARSELHA, França, 7 Abr (AFP) - Os destroços do avião do escritor e piloto francês Antoine de Saint-Exupery, autor do livro "O pequeno Príncipe", foram descobertos no litoral de Marselha, quase 60 anos após seu desaparecimento, em 31 de julho de 1944, revelaram nesta quarta-feira fontes do departamento de Pesquisas Arqueológicas Subaquáticas e Submarinas (DRASSM).
O comentário que a acompanhava era assim: Para mim, é preferível ignorar essa notícia e continuar acreditando que Antoine simplesmente voou com seu teco-teco até o asteróide B612 e que continua lá até hoje. A realidade não é necessariamente difícil. Estranha seria uma palavra mais adequada. Estranho deveria ser o asteroide B612, mas acaba que as percebemos que ... que... era tudo mentira. Ilusão.
Eu lembro muito bem que me recusei terminantemente a ir ao cinema assistir Godzilla porque nao queria ter as minhas ilusões infantis maculadas, quando brincava de Godzilla com a minha irmã na piscina da casa da avó.
nessa realidade em que acredito agora, acho que sempre vou viver um love affair com a ilusão. assim, de amor e ódio, de egoismo, de querer que ela esteja do meu lado quando o rumo é incerto e de querer que ela vá se catar quando perco o rumo. ou quando tem coisa melhor na televisão.
... lets 5:07 AM [+] ...
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... Quarta-feira, Abril 21, 2004 ...
quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com a caixa na mao...
foi uma surpresa deliciosa, literalmente!
as pequenas coisas tem sim um impacto enorme quando voce estah longe. ou de repente elas nao sao tao pequenas e essas experiencias como a que eu estou vivendo de estar tao longe de todo mundo querido, e todo o mundo familiar, me mostra que nao posso considerar nada nem pequeno nem grande, como as aprendi nas aulas de fisica: depende do referencial. e o meu referencial era de saudades, de achar estranho entrar no supermercado em plena pascoa e nao andar por um corredor de ovos de pascoa coloridos. de lembrar quando a gente escondia os ovos pras criancas procurarem no gramado da casa da minha tia.
o meu ovo chegou escondido na caixa azul e amarela dos correios brasileiros, trazida pelo carteiro malaio em plena segunda feira, mais garfield impossivel.
teve pascoa aqui na malasia sim, apesar de nao ser feriado nacional. a malasia eh um pais oficialmente muculmano, porem outras religioes e outras racas convivem no que a historia ofical adora vender como harmonia. mas que nao eh tao harmonica assim. (preciso falar disso em um outro post). o governo concedeu a cada uma dessas racas e religioes um feriado oficial apenas. para os chineses, o ano novo chines. para os indianos, o deepapali. para os catolicos, o natal.
a Kit, que recentemente comecou aqui no escritorio, vinda da UNDP (united nations depvelopment program), eh chinesa e catolica, e me convidou para passar a pascoa com a famila do marido dela. a casa era modesta e num suburbio de KL. apesar de todos serem catolicos, ninguem era religioso, nao se falou em deus, nao se rezou. as pessoas eram apenas partes normalmente isoladas de uma familia muito feliz em uma das poucas ocasioes que tem para se reunir. e a tradicao nada mais era do que uma familia enorme, animada, reunida, comendo e falando alto. parece familiar? me surpreendi ao ver que eram todos indianos pois no meu entender simplificador de estrangeira, os chineses sao catolicos e os indianos, muculmanos. fui muito bem recebida, comi tanto, sentei na mesa da cozinha com os homens, sentei na sala com as mulheres, briquei com as criancas. conversei sobre o brasil, sobre a malasia, sobre o corte no meu braco, sobre a carne de porco com curry, sobre o american idol. um domingo em familia, cheio de deja vu.
uma semana depois, na outra segunda feira chegou meu ovo de pascoa, enviado pela minha familia, e me senti numa celebracao a distancia. lembrei de Alvaro de Campos:
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Nao, nenhuma religiao ensina mais do que os chocolates. Nenhuma religiao ensina mais do que a pascoa em famila estrangeira, e um ovo de pascoa chegando pelo correio.
... lets 7:45 AM [+] ...
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... Quinta-feira, Abril 15, 2004 ...
deixa eu ver se estou entendendo direito,
- o obelisco do ibirapuera tah correndo o risco de desabar e levar o tunnel ayrton senna junto porque uma juiza embargiu as obras que seriam patrocinadas por uma empresa de celular e capitaneadas pela sociedade veteranos de 32, tudo porque a familia do arquiteto que planejou o obelisco resolviu pedir parte do valor desembolsado pela empresa patrocinadora!
- o guilherme webber tah fazendo novela na globo - e nao tah muito bem, pelo que me disseram.
- o belas artes ainda tah de peh e virou HSBC belas artes
- num nivel mais global, o uol resolveu que a noticia mais importante do dia eh o resultado dos jogos da libertadores, e isso dah mais manchete que, por exemplo, a situacao da guerra do trafico na rocinha, ou o aniversario do genocidio em rwanda (que nao deu nem rodape na pagina principal)
- ninguem conseguiu descobrir ainda quem envenenou um elefante (e mais 72 animais) no zoologico de sao paulo.
serah que as coisas fazem mais (ou menos?) sentido e tem mais impacto quando vc tah longe, ou algumas coisas realmente estao fora da ordem?
... lets 7:04 AM [+] ...
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